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Canadenses visitam a '100 Dimensão' no Distrito Federal

Repórter: Élton Skartazini.

      Em visita ao Brasil pelo programa de intercâmbio do Rotary Club, no dia 22/04/2010 os canadenses Marilyn Mucha (contadora), Ian Grivois (designer), Anna Rutkowska (funcionária pública), Gord Hughes (policial) e Rose Delorme (assistente social) estiveram na cooperativa 100 Dimensão, Riacho Fundo II/DF, para conhecer esse projeto de inclusão social, geração de renda e preservação ambiental auto-sustentado pela reciclagem de resíduos sólidos.

 
Visita aos cooperativados   Sônia Maria da Silva


      “Criada em 1998 e implantada em 2003, numa área de 3999 m² concedida pelo Ministério do Planejamento, a cooperativa agrega 200 famílias (600 pessoas) de catadores de lixo que saíram da linha da miséria e conquistaram sua cidadania”, informa a presidente Sônia Maria da Silva. Cada ‘catador’ ganha em média R$ 570,00/mês, tendo famílias que ganham até R$ 2.000,00.

      “Pelo ritmo da produção que observamos acredito que vocês alcançarão todos seus objetivos”, diz Marilyn Mucha. “No Canadá existem Rotarys que apóiam essas iniciativas e acho que poderemos desenvolver alguma parceria”, conclui a visitante.
Consumo consciente

      Sem erguer bandeiras partidárias ou religiosas, mas abertos a parcerias, os ‘100 Dimensão’ difundem tendências universais de preservação ambiental. Em 2010 pretendem alçar vôo maior com o lançamento do projeto ‘Cidadão Ecológico’, em parceria com o SEBRAE, Coca-cola, Ministério da Cultura e Secretaria de Educação do Distrito Federal.

      O projeto orienta para o consumo consciente, por meio de palestras e linguagens artísticas realizadas na sede da cooperativa. Inicialmente serão beneficiados 400 alunos/dia, em sua maioria das regionais de ensino de Samambaia, Recanto das Emas, Riacho Fundo I, Riacho Fundo II e Núcleo Bandeirante, totalizando 4.800 alunos/mês.

      O projeto consiste na mudança dos hábitos de consumo da população e a coleta seletiva do lixo. “Nessas cidades moram mais de 500 mil pessoas. Queremos atingir 20% dessa população até o final de 2012. A iniciativa traz impacto econômico favorável e qualidade de vida à sociedade”, afirma Sônia Maria da Silva.

      Matematicamente correto

      Antes as famílias de catadores agiam individualmente e enfrentavam problemas como a falta de local adequado para separarem e comercializarem resíduos sólidos. O trabalho era árduo e o valor obtido com a venda dos materiais era mínimo. Hoje o trabalho continua pesado, mas melhoraram as condições comerciais.

      Os cooperados ganham em média R$ 0,50 por quilo de plásticos, vidros, papéis e metais separados e prensados. Esse valor triplica após a lavagem, trituração e granulação, sistema implantado com financiamento do BNDS. Os moradores tornados ‘Cidadãos Ecológicos’ praticam a coleta seletiva do lixo, o que facilita o acesso aos materiais, minimiza custos, gera renda, reduz poluição e preserva recursos naturais. 

      Outra conta que justifica o projeto ‘Cidadão Ecológico’ é a seguinte: as cidades envolvidas têm 500 mil habitantes; cada habitante gera em média 500 gramas de resíduos sólidos/dia; 20% dos beneficiados perfazem 100 mil pessoas, totalizando 50 mil quilos/dia de resíduos sólidos coletados que, a R$ 0,50, rende R$ 25.000,00/dia, R$ 750.000,00/mês, valor que subsidia essa cadeia produtiva tornando-a sustentável.

 
Resíduos sólidos   Prensagem de papel


     Idealização e coordenação

      Sônia Maria da Silva se proclama uma sonhadora. Nasceu no Gama em 1962, tem 2º grau completo e atuava como auxiliar de enfermagem quando largou a carreira por motivos de saúde na família. Empobreceu até se ver morando debaixo de uma lona plástica e tendo como renda o que catava do lixo.

      Em 1998 se reuniu com seus vizinhos do Riacho Fundo II, em igual situação, e formaram da Cooperativa 100 Dimensão, da qual ela é a diretora presidente. “Ao elevar as condições de vida de famílias de baixa renda, como as nossas, elevamos a qualidade de vida de toda a sociedade”, afirmam as associadas Domingas de Jesus e Carmem Lúcia.

     “Nossa história se resume nessa frase poética: antes éramos lagartas e rastejávamos; agora somos borboletas e alçamos vôos pela vida”, recita a presidente. O Home Center Castelo Forte amplia sua fé no futuro ao conhecer essa história.

 
Parede de garrafas pet   Objetos do lixo
 
O saber vem dos livros   Do lixo ao luxo

 

 
 
 
 
 

 

       
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