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Castelo Forte
- O que o levou a fazer as
emas do balão?
Roberto
Cabeça - O primeiro administrador
regional do Recanto das Emas, José
Silva, se interessou muito em fazer uma
escultura que marcasse a entrada da
cidade. Nessa época eu trabalhava na
feira fazendo miniaturas de pássaros.
Foi o meu amigo Márcio Rodrigues quem me
apresentou para o administrador e disse
que eu teria condições de fazer essa
escultura. Então, em 1993 eu fiz a
primeira ema que, ao ser transportada,
sofreu um incidente e quebrou as pernas,
por isso até hoje está lá como se
estivesse no ninho. A segunda eu fiz em
1996, no próprio local, porque lá
precisava ter pelo menos duas emas,
afinal, o nome da cidade está no plural.
Hoje as emas do balão são
internacionalmente conhecidas. Esses
dias um amigo me ligou lá da
Flórida/EUA, para me falar sobre uma
conversa de bar que ouviu por lá. Duas
pessoas conversavam sobre Brasília e uma
falou para a outra: "quando você chegar
num balão que tem duas emas, a próxima
cidade é Samambaia". Para mim, ter feito
as emas é muito importante, porque
agora, além de artesão, sou considerado
também artista plástico.
Castelo Forte
- Porque a cidade se chama
Recanto das Emas?
Roberto Cabeça
- A origem do nome da cidade tem
duas versões. Dizem que aqui era para se
chamar Recanto das Oliveiras, porque no
local já havia a escola 'Granja das
Oliveiras'. Porém, oliveiras são pés de
azeitona, vegetação essa que não existe
por aqui. Por outro lado, além da
escola, aqui havia também um sítio
chamado 'Recanto' onde, dizem,
freqüentavam muitas emas que vinham para
comer restos de comida, ração, etc. Por
aqui existe também uma espécie vegetal
chamada 'Canela de Ema', encontrada
principalmente nas beiras de córregos e
rios. O sítio, as aves e a vegetação
nativa foram decisivos na escolha do
nome da cidade.
Castelo Forte
- Sabemos que você também
desenvolve projetos sociais e
ambientais. Poderia nos falar sobre
isso?
Roberto Cabeça - Eu trabalho na escola de samba
ARUREMAS onde ensino jovens e
adolescentes a confeccionarem adereços.
Na questão ambiental faço um trabalho com a comunidade,
principalmente as escolas, que consiste
na limpeza dos córregos Monjolo e
Cachoeira da Benção. A gente se reúne em
mutirão e vai catar garrafas pet,
isopor, carcaças de eletrodomésticos,
pneus, bicicletas e outros objetos
descartados. Com esse material fazemos obras de arte. Estou
com o projeto 'Lixo que te quero verde',
onde a proposta é pegar esse material
jogado na natureza e transformar em
lixeiras ecológicas para serem colocadas
nesses locais regularizados como parques
vivenciais, mas que estão muito
degradados.
Castelo Forte
- Você recebe algum apoio
para realizar seu trabalho?
Roberto Cabeça
- Além dos alunos e professores,
o pessoal da saúde e do corpo de
bombeiros também participa dos mutirões
de limpeza dos córregos. Existe uma boa
relação também com as empresas locais.
Foi a Castelo Forte que deu os materiais
para construir as emas. É uma empresa
que sempre me socorre quando preciso de
algum material para realizar o meu
trabalho. Acho que com um pouco mais de
união nós poderemos melhorar muito mais
nossa cidade.
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