Pesquisa
apresentada pelo ‘Pequenas Empresas
Grandes Negócios’ indica que 54% das
compras de materiais de construção são
decididas por mulheres. Geralmente são
donas de casa que acompanham os maridos
na escolha dos materiais para construir
suas próprias casas. Outras são elas
próprias as responsáveis pela renda e
investimento familiar. 
Mas existe
também um percentual crescente de
profissionais (engenheiras, arquitetas,
decoradoras, pintoras, bombeiras,
eletricistas, azulejistas...) que
influenciam na compra dos seus clientes.
Estudos mostram que as mulheres estão
conquistando cada vez mais o setor da
construção civil, até pouco tempo
considerado reduto masculino.
As
pesquisas confirmam esta tendência do
mercado percebida pela Castelo Forte nos
últimos anos. À medida que as mulheres
conquistam espaço a empresa se adapta
para melhor atendê-las: a apresentação
das lojas se transforma, os produtos são
expostos de modo diferente e o
atendimento fica mais refinado.
Porque, segundo estudos, as
mulheres são mais criteriosas,
caprichosas e organizadas do que os
homens. Estão atentas não apenas aos
preços, mas também à diversidade e
qualidade dos produtos. Na escolha dos
produtos combinam cores e formas, como
quem enxerga a casa pronta e arrumada.
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Clientes
Aparecida
Leal Santos e José Santos são casados,
moram em Samambaia e estão construindo
sua casa. José admite a influencia da
esposa na hora de decidir a compra. “Às
vezes discutimos e ela acaba me
convencendo a comprar aquilo que ela
escolheu”.
“Normalmente sou eu que escolho a
cerâmica, as peças de acabamento do
banheiro e as tintas”, diz Aparecida.
“Sou mais sensível que ele para a
decoração, mas na planta da casa também
decidimos juntos como seriam os quartos,
a suíte, a cozinha, a área de serviço.
Está saindo tudo como eu tinha sonhado”.
O provedor
é o José, mas é a Aparecida que
administra. “Nossa casa é uma planta
econômica com três andares (278m²). O
terreno é pequeno, então tivemos que
construir para cima. Já construímos
outras casas onde moram nossos filhos
casados. Acompanho de perto o trabalho
dos pedreiros para ver se está saindo
tudo certo. Nós mulheres batemos o olho
e vemos logo se um cômodo está fora do
esquadro ou se uma parede está fora do
prumo”.
A loja
também é escolhida com critério. “Ontem
passamos por quatro lojas de materiais
de construção e escolhemos a Castelo
Forte porque foi a que apresentou o
melhor preço. Mas também porque achamos
que os produtos são bons e tem
opções para a gente escolher”, conclui
ela.
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Vendedora |
Tais Alves
de Oliveira é vendedora de materiais de
construção na Castelo Forte. Seu pai e
seu irmão são profissionais da
construção civil. Começou a trabalhar
com sua irmã que havia montado uma loja
voltada para o setor e a convidou para
ser vendedora. “Estou vendendo até hoje
e não troco este ramo comercial por
nenhum outro”, diz ela.
Além da
irmã, Tais cita várias mulheres
envolvidas com a construção civil.
“Conheci uma moça que fez curso para
bombeiro e eletricista no SESC. Hoje ela
está no mercado de trabalho e muito bem
empregada. Vendedoras eu conheço várias.
Tenho uma prima em Goiânia que é
arquiteta”.
Quanto ao
preconceito, Tais concorda que ainda é
grande a discriminação contra mulheres
que trabalham nas obras. “Mesmo aqui na
loja às vezes chegam clientes que evitam
comprar comigo acreditando que, por ser
mulher, eu não entendo do assunto. Mudam
de idéia quando percebem que alguns dos
meus colegas vendedores, menos
experientes, vêm me pedir informações e
opiniões”.
A Castelo
Forte dispensa igual tratamento para
seus colaboradores, homens e mulheres.
Com oportunidades iguais, Tais se
destaca pelo volume de vendas. “Nesta
loja sou a única vendedora. Trabalho de
igual para igual com meus colegas, sem
nenhum problema. Tenho uma clientela
muito boa conquistada com base na
confiança e no bom atendimento. Percebo
que tenho mais facilidade para atender
as clientes mulheres. Acho que elas se
sentem mais seguras em tratar com uma
mulher”.
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Profissionais
na obra
Segundo
reportagem do Jornal de Brasília “a
construção civil está utilizando a
mão-de-obra feminina para fazer
acabamentos, montar azulejo, rejuntar e
limpar. ‘Elas são mais organizadas e
caprichosas. Não deixam bagunça’, diz
Rodrigo Greco, engenheiro responsável
por um prédio em Águas Claras,
construído pela ACNT”.
Em matéria
veiculada no Globo Comunidade as
profissionais garantem que seu trabalho
é muito mais bonito que o dos homens,
por se preocuparem com todos os
detalhes. Maria dos Anjos era empregada
doméstica e optou pela construção civil.
"Minha vizinha trabalhava na obra e me
indicou para o serviço. Como doméstica,
eu era mais discriminada, tinha mais
obrigações e não era tão respeitada”.
No Rio de
Janeiro Raquel ensinou técnicas de
segurança para os operários que
construíram um edifício no Recreio dos
Bandeirantes, Zona Oeste, do qual
Elissandra foi contratada para cuidar do
Sistema de Gestão da Qualidade. Paula
foi a técnica de instalações e cuidou de
toda a parte elétrica e hidráulica da
obra. A construtora responsável recebeu
o certificado de qualidade ISO 9001 por
esta construção.
Os
operários as respeitam, “tanto como
mulheres quanto como profissionais”, diz
Raquel. “Meu pai me deu apoio para
trabalhar na construção civil, porque
viu que estou à frente de mulheres que
têm preconceito com determinadas
profissões”, diz Elissandra.
“Inicialmente meu pai se espantou, mas
depois se acostumou com a idéia”,
acrescenta Paula, ressaltando que na
construção civil o salário é bom.
Em
Portugal, o jornal Luso Mundo recomendou
“que ninguém se admirasse se um dia
destes observar mulheres a trabalhar nas
obras. Elas andam a aprender. Oito estão
a freqüentar o curso de construção civil
e constituem metade da turma em
formação”. Nascida em S. Tomé, Luísa
Pereira, 31 anos, disse que "meu pai não
acreditou quando lhe telefonei a dizer
que estava a tirar um curso para ir
trabalhar para as obras. Mas acabou por
incentivar-me, pois quero aprender o
suficiente para, um dia, fazer a minha
casa e para ir trabalhar numa empresa de
construção civil".
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Pioneiras |
Em novembro de 2005 a biblioteca central
da Universidade de Brasília apresentou mostra que retrata a
participação feminina na construção de
Brasília. A pesquisa e as fotos estão no
acervo do Núcleo de Estudos da Cultura,
Oralidade, Imagem e Memória, da
universidade. 
Este acervo resgata e preserva a
história contada por pessoas que
trabalharam na construção de Brasília,
ou que moravam na região antes do
Distrito Federal. A mostra enfatizou a
presença das mulheres no início da
cidade, em meio à construção civil e ao
longo dos acampamentos transformados em
vilas e cidades.
A partir do depoimento de mulheres foram
retomadas imagens de pioneirismo e de
trabalho na construção civil, de
convívio e de ajuda nas comunidades, de
conflitos e de lutas. São materiais
educativos e culturais sobre a cidade,
na ótica de pessoas comuns, nem sempre
consideradas como construtoras da
história, enfocando o papel das mulheres
na história de Brasília.
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Outras reportagens de Sociedade
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