Localizado entre as cidades do
Recanto das Emas e o Gama está
Núcleo Rural Casa Grande. Quem anda
pela DF 001, pega a DF 475 e
continua pela DF 003, depois das
chácaras do núcleo rural se depara
com uma obra que reverencia a
natureza, a fé e a evolução social
decorrente da organização
comunitária. No topo de um pequeno
morro cercado por outros morros e
largo horizonte está uma das igrejas
mais bonitas do Distrito Federal: o
santuário de São Francisco de Assis.
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Ali se realizou, entre os dias 30 de
setembro e 9 de outubro de 2005, a 3ª
Festa de São Francisco de Assis. Além da
religião (novena, missa e vigília), a
festa proporcionou esporte, cultura e
lazer para a comunidade e visitantes que
comparecem em número cada vez maior. |
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O
Núcleo Rural Casa Grande foi fundado em
1980, quando o senhor Pedro Ferreira
Machado parcelou sua fazenda Bom Sucesso
em chácaras de dois hectares (20.000m²),
no intuito de criar ali um núcleo de
produção de alimentos para Brasília. Era
uma das poucas fazendas remanescentes no
Distrito Federal onde se desenvolviam
atividades agropecuárias, além de uma
pequena produção de tijolos e cerâmicas.
Grande
parte da fazenda está preservada,
cercada por áreas montanhosas e com
muitas nascentes. Hoje parcelada em 500
chácaras, com aproximadamente 5 mil
moradores, mantém sua vocação rural
associada à preservação ambiental e à
qualidade de vida.
Logo no
início uma dessas chácaras foi adquirida
pelo professor Aníbal Rodrigues Coelho,
quando elas praticamente se encontravam
vazias ou ocupadas por caseiros e
agregados. Na inauguração da sua casa
Aníbal promoveu a celebração de uma
missa da qual participaram seus
vizinhos. Ao convida-los pessoalmente
constatou que a maioria era analfabeta e
de baixa renda. Sensível a essa
realidade se tornou um agente social
para melhorar as condições de vida
dessas pessoas. Criaram a associação dos
moradores para auxilia-los nessa tarefa.
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Nas
primeiras tentativas em busca de apoio
as portas do governo se encontravam
fechadas. O apoio veio da EMATER
(Empresa de Assistência Técnica e
Extensão Rural), que ajudou a organizar
a comunidade a fim de conquistar tudo o
que ali existe: 18 km de rede elétrica,
escola para 900 alunos, posto de saúde,
posto policial, 8,5 km de asfalto,
agroindústrias, centro comunitário e, em
2004, foi edificado o santuário de São
Francisco de Assis. |
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“Fico feliz
pelas centenas de pessoas dessa
comunidade que mudaram da situação de
pobreza para uma condição de vida mais
justa e humana, com acesso aos bens
públicos de direito dos cidadãos. Nós
conseguimos, com nossa união, resolver
praticamente todos nossos problemas. Se
esse trabalho é viável em Casa Grande é
porque o Brasil também é viável”, diz o
professor Aníbal.
“Lutamos
ininterruptamente, por meio da
Associação dos Produtores Rurais do
Núcleo Rural Casa Grande, para evitar
que isso vire condomínios. Fazemos
questão que aqui se mantenha como zona
rural, com a qualidade de vida própria
do meio rural”, argumenta Pedro Ferreira
Machado que hoje mora numa das parcelas
daquela que foi a sua fazenda Bom
Sucesso.
A saga do Núcleo Rural Casa Grande está
registrada no Boletim Casa Grande,
criado há 25 anos, e em mais de quatro
mil fotografias que narram uma história
de lutas e vitórias.
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Festa do padroeiro |
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Na 3ª Festa
de São Francisco de Assis houve novena,
missa, vigília, esporte, cultura e lazer
para a comunidade e visitantes que se
admiram com a organização e
hospitalidade dessa comunidade rural.
Poucos acreditam que existe um ambiente
caracteristicamente interiorano em pleno
Distrito Federal. A surpresa é ainda
maior para quem participa dos eventos
religiosos, cavalgada, baile, almoço
típico e shows musicais sertanejos. Tudo
ao estilo dos ‘grandes sertões e
veredas’.
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As
autoridades comparecem e elogiam. Devoto
de São Francisco de Assis o Governador
Joaquim Roriz diz que “mesmo não sendo
governador não perco uma festa dessas.
Pretendo estar aqui todos os anos, se
Deus quiser. A comunidade é formada por
pessoas bastante simples, mas que fazem
festas lindíssimas, ardorosas, que muito
me sensibilizam”. |
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Para
o deputado Tadeu Filipelli, “essa é uma
comunidade extremamente organizada e
consciente em todos os aspectos
possíveis, a começar pelo modo com que
atuam. É interessante que Casa Grande
tem conseguido retardar o problema do
parcelamento da terra. Tem mantido a
tradição de produtor rural e a
preservação da área. Estou certo de que
o governo sempre estará aqui presente
fazendo alguma coisa e de forma
merecida”.
No ano eleitoral de 1998 São Francisco
de Assis foi eleito o padroeiro dessa
comunidade, concorrendo com outros
candidatos igualmente santos. O Jornal
de Brasília deu destaque com as
manchetes ‘A eleição abençoada’ e ‘Santo
bom de voto’ para duas reportagens de
páginas inteiras. A TV Globo veiculou
matérias no Jornal Nacional mostrando a
diferença entre as eleições em curso:
numa os políticos é quem prometiam,
noutra os cabos eleitorais é que
prometiam em nome dos santos. Foi
notório e legítimo o processo que
culminou com a escolha do São Francisco
de Assis para padroeiro do Núcleo Rural
Casa Grande.
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A
cavalgada |
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No dia 2 de
outubro de 2005 foi realizada a
cavalgada em homenagem a São Francisco
de Assis, santo protetor dos homens, dos
animais e da natureza. Saída do Gama às
09h00min, percorreu 22 quilômetros, com
aproximadamente 250 cavalos e cavaleiros
provenientes de Santo Antônio do
Descoberto, Brazlândia, Ceilândia,
Sobradinho, Park Way, comunidade Kalunga
de Planaltida, Unaí/MG, Novo Gama, Céu
Azul e Núcleo Rural Casa Grande.
São membros
de diversos núcleos rurais que
participam de vários eventos semelhantes
a esse e que ganham importância pelo
Brasil afora estreitando a convivência
entre homens e animais. Josenildo Souza
da Costa, Nô, amestrador de mulas,
burros, cavalos, diz que “procuro tirar
a valentia dos animais e prepará-los
para competirem em qualquer prova. O
principal é respeitar e dar bastante
carinho para os animais”.
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Dirceu José
da Silva, de Unaí, diz que “o pessoal
daqui sempre participa com a gente lá,
onde temos uma festa de ‘moar’ (mulas).
Viemos em 11 cavaleiros”. Victor Carrara,
do Park Way, cria manga-larga para
enduro. Aproveita eventos como esse para
se divertir e se integrar com outras
pessoas que gostam de animais. Mário
Augusto Carvalho apresenta “meu cavalo
manga-larga, ‘Perfume Carbufi’, 2º
colocado na exposição agro pecuária de
Brasília, na granja do torto”.
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João Paulo
Lopes, presidente do Núcleo dos
Criadores de Jumentos Penca e Moares do
Planalto Central, explica que “o bom de
criar moares é justamente para fazer
cavalgadas e lidar com gado. São animais
de melhor qualidade, de tríplice apoio,
mais cômodo, que proporciona um bom
passeio para pessoas de qualquer idade.
Moar é o cruzamento do jumento com a
égua, ou do cavalo com a jumenta e não
se reproduzem”.
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Para o
cavaleiro Nilson Brás “a cavalgada é uma
reunião de adeptos do andamento em
cavalos com o intuito da
confraternização, que surge
espontaneamente. Nela as pessoas vão
conversando e isso as ajuda a se
tornarem amigas dos animais que
transmitem às pessoas uma personalidade
diferente. Aproveito a oportunidade
também para reforçar o convívio
familiar. Temos que fomentar vários
eventos como esse”.
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O
apresentador Dílson Rodrigues concorda
na prática com a opinião do Nilson.
Desenvolve atividades culturais em Unaí,
sua terra natal, a fim de resgatar a
cultura do transporte sobre animais.
Participa de festas em Matutina,
Vazante, André Guissé e Presidente
Olegário, municípios de Minas Gerais.
“Sou um agente cultural resgatando a
tradição do carro de boi, folias do
divino, folias de reis, cavalgadas,
tropeiros. A apresentação é fundamental
nesses eventos para registrar presenças,
explicar o motivo do encontro e resgatar
a história”. |
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Festa,
festeiros e futuro |
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A 3ª Festa
de São Francisco foi abrilhantada pelos
músicos sertanejos ‘Zé Mulato e
Cassiano’, ‘Dyego e Karley’, ‘Rafael
Silva e Banda’, ‘Tião Violeiro’ e
outros. São artistas que cantam as
raízes da cultura sertaneja, em seus
valores religiosos, éticos e morais.
Sempre no intuito de trazer para os
nossos dias a referência daquilo que deu
origem ao que somos. |
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Os
festeiros (organizadores da festa) Jairo
Moreira, Laura Pereira e Ilda Ferreira
acertaram em todos os detalhes para
despertar no visitante e na própria
comunidade o espírito do povo rural.
“Trabalhamos contentes com o resultado
do evento como um todo. Graças a Deus se
superou as expectativas. Deus já tinha
feito a parte dele e nós simplesmente
fizemos a nossa”, diz Jairo Moreira, que
assumiu recentemente a presidência da
associação. |
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Mas, além
de promover festas religiosas e
culturais, os dirigentes estão atentos
também à tendência de parcelamento de
terras existente no Distrito Federal,
decorrente da ‘voracidade imobiliária’.
Casa Grande não quer o parcelamento. A
filosofia é preservar o meio ambiente e
a qualidade de vida. A vontade é se
afirmar como um núcleo de produção
agrícola dentro do Distrito Federal, que
mantém vivo a tradição e o folclore do
Brasil rural para se afirmar em sua
identidade.
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Galeria de Imagens
•
Núcleo Rural Casa Grande festeja São
Francisco de Assis - Parte 01
•
Núcleo Rural Casa Grande festeja São
Francisco de Assis - Parte 02
•
Núcleo Rural Casa Grande festeja São
Francisco de Assis - Parte 03
•
Núcleo Rural Casa Grande festeja São
Francisco de Assis - Parte 04
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Outras reportagens de Sociedade
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